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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Argentina oficializa barreira à importação

O governo argentino publicou ontem no Diário Oficial a regulamentação da norma que aumenta a burocracia de todas as importações do país a partir de 1 de fevereiro. A decisão do governo de Cristina Kirchner coloca novo entrave às relações comerciais com o governo Dilma Rousseff.

A União Industrial Argentina (UIA) havia solicitado à Casa Rosada o adiamento da entrada em vigor da exigência de declaração prévia informando à Receita Federal sobre qualquer compra. Na prática, a norma equivale à aplicação de licenças não automáticas para todas as compras externas do país.

Entidades e empresários brasileiros que poderão ser afetados por essa medida passaram a segunda-feira em busca de maiores informações. Já pela manhã, representantes da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) entraram em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) para tentar dimensionar o impacto. Mas a orientação foi a de esperar por mais detalhes vindos da Argentina, para, então, avaliar os setores prejudicados.

A Resolução 3.252, denominada "janela única eletrônica", fixa um prazo de dez dias para aprovar as solicitações das importações. De acordo com o texto, a medida pretende unificar as operações de comércio exterior e estabelecer "um regime comercial mais seguro, propenso a um novo enfoque de trabalho e associação entre as aduanas, organismos governamentais e empresas, orientado à facilitação do comércio internacional".

O grande temor dos empresários, no entanto, é que o governo comece a atrasar a aprovação das declarações, como faz com os produtos sob regime de licenças não automáticas, cujo prazo de análise permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) é de 60 dias. Porém, na Argentina, há demoras de 180 dias ou mais. Na sexta-feira, o presidente da UIA, Ignácio de Mendiguren, disse que se reuniu com o secretário de Comércio Interior do Ministério de Economia, Guillermo Moreno, e que enviou carta ao titular da Receita, Ricardo Echegaray, solicitando o adiamento da medida.

Mendiguren explicou que há insumos importados que não podem ser substituídos pela produção local. A UIA teme que vários setores da indústria nacional fiquem paralisados por falta de insumos, como ocorreu há duas semanas com a fábrica da Fiat.

A Associação Brasileira dos Calçados (Abicalçados), que já sofre com as restrições às importações impostas pela Argentina, não acredita que essa medida possa trazer mais impactos no fluxo de exportações de calçados para o País. "As nossas empresas já estão encarando esse aumento da burocracia desde o início do ano passado", lamenta o diretor- executivo da entidade, Heitor Klein.

Ele explica que, desde essa época, os importadores brasileiros estão sendo chamados pela Secretaria de Comércio Interior da Argentina para apresentar o seu programa de exportações. Com essa atitude, eles conseguem prever o fluxo total de calçados e garantir que não ultrapassará um determinado nível. "Eles também aproveitam esses encontros para arrancar da empresa importadora um compromisso de exportação", acrescenta Klein.


Jornal do Comércio

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Argentina impõe restrições a produtos brasileiros

Pode ser sapato, pode ser carro ou roupa. A partir do mês que vem, eles querem regular a quantidade e o tipo de artigo a ser importado do Brasil.


Fevereiro vai começar com restrições aos produtos brasileiros na Argentina. Sobrou para todos os setores. Os empresários brasileiros estão preocupados com essas restrições. Quem acompanha as relações, nem sempre amigáveis, entre Brasil e Argentina diz que a presidente Cristina Kirchner está tentando dar fôlego para uma indústria cambaleante. Trata-se de uma queda-de-braço com um de nossos maiores parceiros comerciais.


Está decidido: a partir do mês que vem, cada importador argentino terá de entregar uma lista prévia ao governo do país dizendo o que quer comprar. O poder público vai autorizar ou não e ainda definir a quantidade de produtos. Calçados, roupas, automóveis ou autopeças – tudo pode ser atingido.


“Já estou pedindo uma audiência com a presidente Cristina Kirchner, que está neste momento de licença por questão de saúde. Mas isso claramente é uma forma de o governo argentino controlar as importações argentinas do Brasil e de outros países também”, afirma Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


Esta semana, o alvo foram as petroleiras, entre elas a Petrobras. Ao todo, o governo argentino denunciou cinco empresas por suspeita de formação de cartel nas vendas no atacado de óleo diesel.


“É uma medida protecionista. Uma medida que a gente chama de não-tarifária e que todos os países usam. É defesa de concorrência dizer: ‘Olha, eles estão montando um cartel, e isso é ruim para o país’. Se eles conseguirem mostrar que o preço ficou maior do que era antes, eles podem tomar medidas retaliatórias”, observa Simão Davi Silber, professor de economia internacional da Universidade de São Paulo.


Desde o ano passado, a Argentina impõe barreiras para a entrada dos produtos brasileiros. Antes as mercadorias brasileiras eram levadas para o país vizinho sem burocracia. Havia uma licença de importação automática, que foi suspensa. Agora os produtos precisam esperar por uma autorização do governo argentino.


A espera por uma licença de importação deve ser de até dois meses, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas há casos em que os empresários brasileiros estão tendo de aguardar até seis meses para conseguir liberar a venda de um produto na Argentina. É a situação que está vivendo o setor de calçados. Até a metade do mês passado, três milhões de pares de sapatos permaneciam em armazéns argentinos, porque a licença não saiu.


Mesmo impondo restrições, a Argentina continua sendo o terceiro principal destino das exportações brasileiras. “Piorou a situação da Argentina, a produção industrial da Argentina não está crescendo adequadamente. Está tendo uma entrada de produto não só brasileiro, como chinês. Então, eles estão tentando preservar e estimular a indústria argentina. Para isso, como nós somos grandes exportadores para a Argentina, nós somos a vítima preferida”, acrescenta o professor da USP, Simão Davi Silber.


Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que tomou conhecimento da medida com preocupação e estabeleceu contato com o governo argentino para melhor avaliar os possíveis impactos para os exportadores brasileiros.
http://www.jornalfloripa.com.br/mundo/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=14127